Descobrir
é tirar a cobertura ou o véu... Descobrimos muita coisa na vida:
tesouros, lugares aprazíveis e também pessoas. Pessoas com as quais
convivemos às vezes e cuja riqueza interior mal percebíamos. Ora, entre
os grandes valores que podemos descobrir, está também DEUS. Deus não é
mera fórmula nem um ser abstrato, mas um Tu dialogante, a Suprema
inteligência e o Primeiro Amor. Se encontramos inteligência e amor no
mundo, isto se deve exclusivamente à existência de Deus Criador.
Ora até mesmo o cristão pode passar longos anos de vida fazendo de Deus um referencial frio e pouco motivador. É possível, porém, e até necessário, descobrir a Deus. Isto se faz pela reflexão, mas também - e muito - pela experiência. Experimentar é conhecer por afinidade, por conaturalidade. Diz Jesus no Evangelho: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus" (Mt 5,8). É esse pureza de coração - na qual está implícita a coragem de uma vida bem escalonada - que propicia a familiaridade com Deus.
E Deus - embora seja o Eterno e Imutável! - é sempre novo para os seus fiéis. Nenhuma criatura acaba de o descobrir, São João da Cruz diz que Deus só não é novo para si. Esta verdade se compreende bem pelo fato de que, caminhando na Terra, o cristão está sempre mais próximo de eternidade. De um lado, isto implica que está mais adulto espiritualmente ou mais amadurecido, mais apto a perceber o sento dos valores transcendentais ou das verdades concernentes a Deus (quem começa a se aproximar de Deus, é como criança que balbucia o Inefável; cf. Jr 1,6). De outro lado, isto também implica que a luz da eternidade brilha mais nitidamente aos olhos de quem se vai chegando ao termo definitivo (os navegantes, que, após longa viagem em alto mar, se aproximam do porto de chegada, vão recebendo cada vez mais a claridade da margem, e vão percebendo sempre mais lucidamente os contornos e a realidade do seu porto de desembarque).
Poderíamos também comparar a vida de todo homem - especialmente a do cristão e uma espiral que vai subindo. Quem o percorre, contempla sempre o mesmo chão, mas a partir de altitudes sempre mais elevadas; isto quer dizer que o seu olhar se dilata e lhe permite avaliar mais precisamente o sentido de cada pormenor; daí não pode deixar de seguir-se grande alegria.
Ponderamos estas coisas no mês da Páscoa do Senhor. Os Fiéis já a devem ter celebrado muitas vezes, de modo que a repetição pode gerar rotina. Todavia isto só ocorre se o cristão não está plenamente ajustado ao seu compasso de vida; quem soma os anos de sua existência e lhes dá um conteúdo correspondente, descobrirá na Páscoa de 1990 alguma faceta ou algum sabor que antes não percebera!
D. Estevão Bettencourt, osb
Revista: "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"
Nº 335 - Ano: 1990 - pág. 145
Ora até mesmo o cristão pode passar longos anos de vida fazendo de Deus um referencial frio e pouco motivador. É possível, porém, e até necessário, descobrir a Deus. Isto se faz pela reflexão, mas também - e muito - pela experiência. Experimentar é conhecer por afinidade, por conaturalidade. Diz Jesus no Evangelho: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus" (Mt 5,8). É esse pureza de coração - na qual está implícita a coragem de uma vida bem escalonada - que propicia a familiaridade com Deus.
E Deus - embora seja o Eterno e Imutável! - é sempre novo para os seus fiéis. Nenhuma criatura acaba de o descobrir, São João da Cruz diz que Deus só não é novo para si. Esta verdade se compreende bem pelo fato de que, caminhando na Terra, o cristão está sempre mais próximo de eternidade. De um lado, isto implica que está mais adulto espiritualmente ou mais amadurecido, mais apto a perceber o sento dos valores transcendentais ou das verdades concernentes a Deus (quem começa a se aproximar de Deus, é como criança que balbucia o Inefável; cf. Jr 1,6). De outro lado, isto também implica que a luz da eternidade brilha mais nitidamente aos olhos de quem se vai chegando ao termo definitivo (os navegantes, que, após longa viagem em alto mar, se aproximam do porto de chegada, vão recebendo cada vez mais a claridade da margem, e vão percebendo sempre mais lucidamente os contornos e a realidade do seu porto de desembarque).
Poderíamos também comparar a vida de todo homem - especialmente a do cristão e uma espiral que vai subindo. Quem o percorre, contempla sempre o mesmo chão, mas a partir de altitudes sempre mais elevadas; isto quer dizer que o seu olhar se dilata e lhe permite avaliar mais precisamente o sentido de cada pormenor; daí não pode deixar de seguir-se grande alegria.
Ponderamos estas coisas no mês da Páscoa do Senhor. Os Fiéis já a devem ter celebrado muitas vezes, de modo que a repetição pode gerar rotina. Todavia isto só ocorre se o cristão não está plenamente ajustado ao seu compasso de vida; quem soma os anos de sua existência e lhes dá um conteúdo correspondente, descobrirá na Páscoa de 1990 alguma faceta ou algum sabor que antes não percebera!
D. Estevão Bettencourt, osb
Revista: "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"
Nº 335 - Ano: 1990 - pág. 145
